VW e Bosch dão adeus ao tanque de partida a frio com o Polo E-Flex

Nenhum carro a álcool ou flex atual consegue lidar com 100% de álcool. Nem lá fora, onde se usa E85, ou seja, um álcool misturado a 15% de gasolina, nem por aqui, onde temos o tanquinho de partida a frio com gasolina. As coisas são assim desde que a Fiat apresentou o primeiro carro a álcool de produção em série do mundo, o 147, em maio de 1979. Depois de 30 anos de espera para se livrar do tal tanquinho, que ajuda a não passar raiva em manhãs frias, mas incomoda a cada vez que se visita o posto de abastecimento, Volkswagen e Bosch resolveram dar uma mãozinha. Com o Polo E-Flex.



O novo carro, uma série especial que será vendida a partir do final deste mês por R$ 47,49 mil, virá apenas na cor Preto Magic com um pacote bastante atraente de itens de série, como o ar-condicional digital Climatronic e o sistema de entretenimento e multimídia I-System. Isso ajudará a manter o Polo atraente até a chegada da nova geração do carro, a quinta, mostrada este ano no Salão de Genebra. O carro deve chegar ao mercado no ano que vem. Mas falemos do E-Flex.

O sistema permite que se dê a partida em um carro que usa apenas álcool aquecendo-o a até 120ºC antes de ligar o carro, o que torna a combustão mais fácil. Com isso, o carro pega sem esforços a até -5ºC.

Como tudo tem um preço, o do E-Flex é um processo para ligar o carro, não muito diferente do que existe para ligar um veículo automático, por exemplo. Funciona assim: em primeiro lugar, se vira a chave até a posição "on". O painel se ilumina e uma luz, que parece uma mola com elos separados, acende. Ela é igual à usada em carros a diesel. Quando esta luz se apaga, o que pode levar até 12 s, se a temperatura estiver bem baixa, deve-se pisar no pedal da embreagem e, aí sim, dar partida no carro.

Se algum destes passos for ignorado, o Polo não liga. Tente ligá-lo de uma vez e a chave trava no miolo. Tente ligá-lo sem pisar no pedal da embreagem e acontece a mesma coisa. Para ligar o veículo, deve-se voltar a chave à posição inicial e repetir o ritual, que tende a se tornar automático, com o tempo.

Além de tornar a partida mais rápida e fácil, o E-Flex também ajuda o carro a funcionar de um modo mais suave com o motor frio. Isso porque, mesmo com o tanquinho, os carros flex mais modernos demoram a reagir logo depois que são ligados e a aceleração tende a não ser muito regular.

A explicação para o E-Flex estar presente apenas no Polo, e em uma versão especial, se deve ao fato de a tecnologia ser muito nova. Será que os consumidores vão se acostumar ao processo de partida? Será que o E-Flex não vai dar defeito? Quando essas perguntas tiverem sido respondidas, ele deve ser aperfeiçoado e espalhado para modelos de maior volume, como o VW Gol. Também deve ser exportado, ajudando países mais frios a usar apenas etanol. É uma conquista e tanto para a engenharia nacional.

















Fonte: Volkswagen e Bosch